Feira reúne mais de 500 marcas e expectativa de 45 mil visitantes na Expo Center Norte, em São Paulo, até 18 de setembro

A modernização do parque de iluminação pública avança no Brasil, impulsionada por investimentos bilionários e pela crescente adoção de tecnologias voltadas às cidades inteligentes. Nesse cenário, a Expolux, Feira Internacional da Indústria da Iluminação, se consolida como o principal palco nacional para o debate estratégico sobre o tema, reunindo os principais atores do setor em um momento decisivo para o futuro da infraestrutura urbana do país.

O evento, considerado a maior feira de iluminação da América Latina, acontecerá de 15 a 18 de setembro na Expo Center Norte, em São Paulo, simultaneamente à Equipotel. Juntas, as duas feiras devem atrair mais de 45 mil visitantes qualificados, além de reunir cerca de 500 marcas nacionais e internacionais e as principais entidades do setor. Na última edição, a Expolux já havia reunido mais de 20 mil visitantes e mais de 400 marcas expositoras, com profissionais de diferentes países.

Segundo o Panorama da Participação Privada na Iluminação Pública 2025, elaborado pela ABCIP, o Brasil já conta com 146 contratos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) voltados à iluminação pública, que somam R$32 bilhões em investimentos. O montante abrange 173 municípios e impacta diretamente cerca de 57 milhões de pessoas.

O avanço, no entanto, traz desafios que vão além da eficiência energética e exigem uma abordagem mais integrada e tecnológica da iluminação urbana. Projetos do setor passam a incorporar soluções de monitoramento, conectividade e transmissão de dados, iniciativas com características de cidades inteligentes que, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, estão entre as principais candidatas ao financiamento do Fundo de Desenvolvimento de Infraestrutura Regional (FDIRS).

“Os profissionais de iluminação têm diante de si uma grande oportunidade: deixar de atuar apenas na especificação da luz e passar a ocupar também um espaço qualificado na inteligência dos sistemas, na governança dos dados, na integração tecnológica e na operação urbana conectada. Para que isso aconteça, o setor precisa investir fortemente em formação técnica e independência de conhecimento”, afirma Cristhian Nascimento, arquiteto, urbanista, professor universitário e embaixador da edição 2026 da Expolux.

A qualificação profissional é apontada como um dos principais desafios do setor. “Com a modernização da iluminação pública, o trabalho deixa de estar restrito ao campo da elétrica e passa a exigir conhecimentos de eletrônica e sistemas integrados. Trata-se de uma mudança estrutural, que demanda atualização constante e formação especializada”, complementa Nascimento.

Desafios estruturais também seguem no radar do setor. O relatório Tracking SDG7: The Energy Progress Report 2025 aponta que, em 2023, 666 milhões de pessoas ainda não tinham acesso à energia elétrica no mundo, sendo 84% delas em áreas rurais. No Brasil, dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) indicam que cerca de 1 milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda vivem sem acesso à eletricidade, evidenciando desigualdades regionais que persistem mesmo com o avanço tecnológico do setor.

Pela primeira vez, a Expolux contará com uma área dedicada exclusivamente à iluminação pública: o Lounge VIP de IP, concebido para fomentar conexões estratégicas entre concessionárias, gestores públicos, investidores e empresas expositoras. A iniciativa busca acelerar parcerias e promover discussões qualificadas sobre modelos de concessão, financiamento e inovação tecnológica.

Outro destaque é a Rua de Iluminação Pública, que reúne soluções de ponta em telegestão, conectividade e transmissão de dados, além de apresentar cases, estudos técnicos e tendências que estão moldando o futuro da iluminação urbana no Brasil e no mundo.

“O grande diferencial da Expolux é proporcionar experiências imersivas que facilitam a compreensão técnica e estratégica da iluminação. Isso é fundamental para apoiar gestores públicos e tomadores de decisão na escolha de soluções mais eficientes e sustentáveis”, destaca Nascimento.

Realizada em um momento marcado pelo ciclo eleitoral e pelos impactos da Reforma Tributária, a Expolux se posiciona como ambiente essencial para análise de cenários, troca de conhecimento e definição dos próximos passos das concessões e PPPs no país.

Além da iluminação pública, a feira coloca em pauta o papel crescente da luz nos projetos de retrofit, a modernização de edificações já existentes. O processo atravessa um período de forte expansão global: segundo relatório da BCC Research, o mercado de retrofit energético em edifícios comerciais e públicos foi estimado em US$134,7 bilhões em 2024 e deve atingir US$191,3 bilhões até 2029. Edifícios comerciais concentram cerca de 45% da demanda global por projetos de modernização.

Nesse contexto, a iluminação deixou de ser um complemento técnico para se tornar ferramenta estratégica de eficiência operacional, valorização imobiliária, conforto ambiental e experiência do usuário. “A iluminação LED por si só já resolveu muita coisa em relação à eficiência energética, tendo em vista que o consumo foi bastante reduzido em comparação às tecnologias anteriores”, afirma a arquiteta Thais Ruiz, também embaixadora da Expolux.

Segundo Ruiz, o impacto vai além da funcionalidade: nos retrofits mais recentes, a luz passou a atuar diretamente na construção da identidade arquitetônica dos espaços, com fachadas iluminadas e valorização de texturas ganhando relevância, sobretudo em edifícios comerciais que buscam reposicionamento no mercado. “A luz é capaz de levantar uma arquitetura, assim como tem capacidade de derrubar um projeto de alto nível. Uma boa iluminação consegue garantir encantamentos desde o primeiro contato visual”, diz a arquiteta.

A integração entre arquitetura, materiais e iluminação também acompanha a evolução da construção civil. Para a engenheira Iza Valadão, especialista em tecnologias de materiais e sustentabilidade, os avanços tecnológicos tornam os projetos de retrofit mais eficientes. “Hoje, temos materiais mais leves, eficientes e com melhor desempenho térmico, acústico e energético. Isso reduz a carga estrutural, acelera a obra, diminui a geração de resíduos e melhora o desempenho de edifícios como um todo”, afirma. Segundo ela, a escolha dos materiais influencia diretamente a eficiência da iluminação: “Um material mal especificado pode exigir mais pontos de iluminação, aumentar o consumo energético e comprometer o conforto visual.”

Entre as tendências debatidas na feira está também a iluminação human centric, que ajusta intensidade e temperatura de cor ao ritmo biológico natural das pessoas, e uma mudança estética nos projetos contemporâneos, com preferência por efeitos de luz obtidos sem peças grandes de destaque.

Serviço

Expolux 2026 — Feira Internacional da Indústria da Iluminação 

15 a 18 de setembro de 2026 

Expo Center Norte — São Paulo (SP) 

Site: https://www.expolux.com.br/pt-br.html