Medical Cannabis Fair em São Paulo promete unificar ciência enegócios no setor da cannabis medicinal

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Evento se consolida como referência no Brasil e atrai participantes de diversas partes do mundo São Paulo

A terceira edição da Medical Cannabis Fair (MCF) está apresentando as diferentes formas de utilização da Cannabis sativa L., planta rica em propriedades medicinais e que também pode trazer inúmeras soluções para a indústria. Organizada pela Sechat, plataforma voltada para Educação, Negócios e Informação sobre terapia canabinoide, o evento se destaca como ponto de encontro entre o mundo científico e empresarial do setor da cannabis medicinal e promete agitar a capital de São Paulo, abrindo caminhos para a ciência e despertando ainda mais interesse em relação ao tema.

 “Desde a criação da feira, nosso objetivo sempre foi unificar dois mundos: o científico, composto por médicos, pesquisadores e todos os profissionais da área da saúde, e o empresarial, formado por empresas, investidores, advogados e legisladores envolvidos nesse setor”, explica Daniel Jordão, diretor da Start-UP responsável pelo evento.

Com uma abordagem classificada como “científico-profissional”, a feira visa proporcionar um ambiente onde profissionais da saúde podem conhecer de perto os produtos, lançamentos, inovações e tipos de dosagem relacionados à cannabis medicinal. Ao mesmo tempo, as empresas têm a oportunidade de trocar experiências e tecnologia.

O mercado nacional

De acordo com dados da Kaya Mind, aproximadamente 430 mil brasileiros estão em tratamento com produtos à base da planta no país. No ano passado, o mercado nacional de cannabis medicinal atingiu um faturamento de R$ 700 milhões, com projeções indicando R$ 1 bilhão para 2024. Em relação aos investimentos públicos, foram destinados R$ 165,8 milhões para o fornecimento público desses derivados, desde 2015 até meados de 2023.

 “Quando analisamos esses números, percebemos que apenas uma pequena parte da população tem acesso aos produtos à base de cannabis no país. Ao aprofundarmos nosso entendimento sobre o potencial terapêutico da cannabis e seus benefícios no tratamento de diversas patologias, notamos um enorme potencial de crescimento desse mercado”, comenta Daniel Jordão.

O evento, que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de Maio de 2024 no Expo Center Norte em São Paulo, contará com mais de 60 estandes e 100 marcas expondo seus negócios na área medicinal da cannabis e cânhamo industrial. Empresas do Brasil e do mundo apresentarão suas marcas, novos medicamentos, tecnologias, equipamentos de laboratórios e cultivo industrial, além de tecnologias para cultivo, educação, serviços financeiros e processos industriais do cânhamo nas áreas têxtil e de cosmetologia.

Uma novidade na edição de 2024 será a inclusão de um dia exclusivo para profissionais da área da saúde, que acontecerá no sábado. Médicos, dentistas, veterinários e outros profissionais terão a oportunidade de interagir com os expositores e conhecer os principais produtos disponíveis no mercado brasileiro.

 “O Brasil já é uma referência do setor na América Latina. Prova disso é a presença de empresas do Uruguai, Colômbia e outras nações, como Estados Unidos e Israel, participando do nosso evento. Estamos conquistando um público cada vez maior por meio do nosso trabalho de promoção e divulgação”, conclui Daniel Jordão.

 Em paralelo à MCF 2024, acontece o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal

 O 3° Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal (CBCM), agendado para os dias 23 a 25 de maio, reunirá cerca de 100 palestrantes em São Paulo para discutir os avanços e desafios da cannabis medicinal e industrial no Brasil e na América Latina. Com uma programação abrangente, o evento abordará desde aspectos técnicos, como o funcionamento do sistema endocanabinoide, até questões práticas, como a aplicação da cannabis em diversas especialidades médicas. Espera-se a participação de aproximadamente 1.200 congressistas nos três dias de evento, no Expo Center Norte.

Um destaque do CBCM24 será a exploração de módulos interdisciplinares, discutindo temas como interação medicamentosa, tratamento de doenças neurodegenerativas e avanços no manejo de epilepsias refratárias. O sistema endocanabinoide receberá atenção especial, com análises detalhadas de sua interação com a fisiologia, farmacologia e aplicações terapêuticas, incluindo tratamentos com psicodélicos e estudos de casos clínicos reais.

O neurocirurgião Pedro Pierro, diretor científico da Sechat – plataforma de Educação, Negócios e Informação voltada para a cannabis medicinal e organizadora do CBCM, destaca a importância terapêutica da substância, afirmando que “permite controlar sintomas de epilepsia, ansiedade, depressão, entre outros”.

A psiquiatra Ana Hounie, confirmada para o módulo MedCan Sistema Endocanabinoide, irá abordar o papel da cannabis medicinal no período pós-pandemia Covid-19. “Convido todos interessados a participarem deste evento importante da medicina endocanabinoide”, destaca Ana Hounie.

Em relação aos aspectos comerciais, Pierro enfatiza que “Cannabis sempre foi sinônimo de dinheiro”, destacando a necessidade de conversas com empreendedores, investidores e profissionais da saúde para impulsionar o mercado.

 “Queremos dialogar com os empreendedores e investidores, bem como com médicos, odontólogos e veterinários, que representam o gargalo da prescrição. O produto necessita da prescrição de um profissional para ser vendido. Mais prescrições significam mais produção e mais dinheiro, por conseguinte, entrando nesse mercado”, afirma Pedro Pierro.

Além disso, as discussões sobre legislação e regulamentação serão temas abordados por especialistas no assunto. Rodrigo Mesquita, advogado membro da Comissão Especial de Assuntos Regulatórios da OAB Nacional e do Comitê Científico do CBCM 2024, ressalta a importância do evento para o debate sobre a lacuna regulatória que ainda afeta o setor, visando garantir produtos eficazes, seguros e acessíveis à população.

 “O Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal se consolidou como um espaço fundamental para pensar o mercado da cannabis medicinal no país e hoje ganha importância pelo debate que vem sendo feito a respeito da lacuna regulatória que ainda impede o pleno desenvolvimento do setor. Nesta edição podemos esperar por discussões ainda mais qualificadas, a partir das evidências mais recentes, para superarmos definitivamente o preconceito e a desinformação e assim garantirmos produtos eficazes, seguros e acessíveis à população”, ressalta.

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